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quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Missing

Talvez não seja assim tão doloroso...
Talvez a dor seja só mais uma ilusão...
E talvez as ilusões não sejam de todo ruim.

Embora a dor tenha diminuído,
Ainda faz-me agonizar silenciosamente...
Faz-me mergulhar em imaginários prantos insanos.
Onde, na realidade, são substituídos por
Sorrisos vazios...

Talvez o "Até mais" seja "Adeus"
E eu nunca mais o verei.
E sem saber, o nosso "Para sempre"
Virará cinzas nas mãos da vida
E o vento-destino soprará pra bem longe...

Talvez essas palavras sejam inúteis
E são.
Inutilmente confortantes, consoladoras...

Talvez não seja assim tão dolorosa a saudade...
De ter você perto de mim...





terça-feira, 29 de julho de 2014

...

Eu tinha um anjo...
Tinha uma voz serena no "Boa noite"
E com isso, um sorriso oculto...
Tinha uma raiva inexplicável e perdida.
E tinha um pedido de desculpas...
Tinha dúvidas e não procurava respostas...

Meu anjo não tinha asas, e ainda assim,
Aprendeu a voar...
E por egoísmo seu, não quis me levar consigo.
Voou tão alto
Que meus olhos o perderam de vista...

Tinha lágrimas e uma dor incomparável...
Tinha desespero e vazio...
E uma saudade
Maior que o vazio, tomou conta de mim...

Eu tinha um Anjo...
E ele voou.




Uma homenagem a N.R

domingo, 22 de junho de 2014

Sacrifiquem...
Matem o que mata.
E mesmo que não matem...
Eu já morri.
Não vejo. Não ouço. Não sinto.
Qualquer mentira, qualquer lágrima...
Estou anestesiada, entorpecida.
Livre de qualquer sentimento.
Não, não morra agora.
Por favor, não chore...
Corra para qualquer outro mundo.
Apenas não chore... Não morra.
Vá... E, por favor, não me diga que tem que ir.
É tão ruim quando você diz adeus.
Vá... Sinta aquele silêncio...
Eu vou estar esperando por você.
Sempre estarei.




domingo, 1 de junho de 2014

Angelum Perspiciunt Lapsum

Vendaram-lhe os olhos. 
E todas as faíscas de esperança 
Que podia-se ver na imensidão daquele oceano, 
Foram substituídas por lágrimas da fria escuridão, 
E enquanto encarava seu abismo ocular,
Via seu coração dilacerado,
Seus membros arrancados por um ser indefinido
Vindo de uma obscuridade infernal, 
Enquanto lutava contra essa besta medíocre,
Sua mente se esvaía em plena caída ao abismo imperial, 
De um miserável total, 
Conjurado a uma morte certa e como se um milagre viesse do além, 
A besta se perde em seu abismo ocular, 
Caindo numa armadilha sem saída 
E mais bestial que ela própria criou, 
A tal besta não sabia que vendeu os olhos da pessoa errada...




Créditos: Vinícius Soares (Japa)


sábado, 26 de abril de 2014

Lembranças

Ainda posso lembrar
Daqueles olhos tímidos...
Da trilha que aquele sorriso fazia
Até finalmente chegar ao meu olhar
E dos intensos rastros
De esperança e felicidade que deixava...
Ainda posso lembrar
Da agonia ao ver aquele momento acabar
E a necessidade de mais um pouco daquilo
Era tamanha,
Da qual jamais acreditava poder existir.
Sim...
Ainda posso lembrar
Das meias palavras com sentidos completos.
De todas as verdades estampadas
E sentimentos escondidos...
Consigo lembrar
De todas as vezes
Que pus o dedo na maior ferida, 
Sem me preocupar se ainda doía...
E não doía.
Mas ardia.
Ardia algo grandioso dentro de mim.
Ainda posso lembrar
Que aquilo só crescia...
E pela primeira vez,
Não me ofendia, não me machucava...
E eu me lembro...
Que nada disso acabou...